É trabalho do homem retirar a pedra da sepultura e do Cristo ordenar ao morto que ressuscite. Enquanto a pedra não for retirada, não haverá ressurreição. Enquanto não houver ressurreição, não haverá vida.
Mergulhado na escuridão do túmulo, o homem sente-se intranqüilo, insatisfeito, muito embora seja esse túmulo feito do mais caro material, mais requintado e mais rico.
O homem achar-se-á intranqüilo, movimentando-se ora por um motivo, ora por outro; revolver-se-á, sem saber que posição tomar, pois é muito limitado o espaço de uma sepultura!
Um dia, afinal, começa a perceber que está preso, sujeito a um fosso escuro e limitado, e então procura se erguer e investigar o porquê de semelhante situação. Percebe que sobre seu túmulo há uma grande pedra. Grita, urra, blasfema, chora, mas ninguém o ouvirá, pois grande parte da humanidade está surda aos rumores que lhe perturbam os prazeres.
Eis que, cansado, debatendo-se nas trevas , reconhece que suas forças se extinguem e que só serenando o seu espírito poderá encontrar o modo de sair dessa prisão. Entra dentro de si e começa a meditar.
Surgem os porquês. Finalmente reconhece que a pedra sobre a sepultura é feita das suas imperfeições e que, se transmutar esse material grosseiro, aos poucos ele se transformará em algo sutil e leve. Então, o Mestre surgirá à sua frente e ordenará também, como há milênios, já fizera: Levanta-te e anda. – Sublimes palavras do Divino Mestre dirigidas a Lázaro.
Cenyra Pinto
Publicado por acasadoespelho